Personalize as preferências de consentimento

Utilizamos cookies para ajudá-lo a navegar com eficiência e executar determinadas funções. Você encontrará informações detalhadas sobre todos os cookies em cada categoria de consentimento abaixo.

Os cookies categorizados como “Necessários” são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para ativar as funcionalidades básicas do site.... 

Sempre ativo

Necessary cookies are required to enable the basic features of this site, such as providing secure log-in or adjusting your consent preferences. These cookies do not store any personally identifiable data.

Não há cookies para exibir.

Functional cookies help perform certain functionalities like sharing the content of the website on social media platforms, collecting feedback, and other third-party features.

Não há cookies para exibir.

Analytical cookies are used to understand how visitors interact with the website. These cookies help provide information on metrics such as the number of visitors, bounce rate, traffic source, etc.

Não há cookies para exibir.

Performance cookies are used to understand and analyze the key performance indexes of the website which helps in delivering a better user experience for the visitors.

Não há cookies para exibir.

Advertisement cookies are used to provide visitors with customized advertisements based on the pages you visited previously and to analyze the effectiveness of the ad campaigns.

Não há cookies para exibir.

Lagoa da Pampulha

A barragem da Pampulha já estourou? Sim! Confira como foi!

Há sete décadas ocorria, na mesma região, o “estouro” da represa da Pampulha (inaugurada em 1938 para o abastecimento de água na cidade). A capital registrava o rompimento da estrutura de 20 metros de altura, construída na primeira administração (1935 a 1938) do prefeito Otacílio Negrão de Lima (1897-1960).

Antes do acidente histórico, passageiros que sobrevoavam a lagoa, chegando ou partindo do aeroporto, podiam ler as palavras Pampulha e Belo Horizonte gravadas em letras gigantes na estrutura de cimento, alvenaria e terra — a fenda, conforme mostram as fotos aéreas feitas pela equipe da extinta revista O Cruzeiro, atingiu exatamente as sílabas “zon” e “pulha”. Pelos relatos de antigos moradores, a região, embora ainda não muito povoada, ficou em polvorosa, pois a represa começou a arrebentar na parte da manhã e só terminou à noite. Antes de tudo acontecer, as autoridades pediram, pelo rádio, que as pessoas evacuassem a área. Muitas casas foram destruídas e houve inúmeros desabrigados, a maioria pessoas de baixa renda.

O então governador de Minas, Juscelino Kubitschek (1902-1976), que havia sido prefeito de BH entre 1940 e 1945, quando foi inaugurado o Conjunto Moderno, hoje Patrimônio Mundial, declarou: “Vamos construir em tempo recorde.” Uma foto daqueles dias é emblemática. Durante os trabalhos de engenharia, JK, ao lado da primeira-dama, Sarah Kubitschek (1908-1996), tendo o espelho d’água ao fundo, come um sanduíche, enquanto alguém lhe serve, ao que parece, um café. O registro fotográfico está no livro “Juscelino Kubitschek, uma Fotobiografia”, organizado pelo cientista social e gestor cultural Fábio Chateaubriand Borba. A pesquisa mostrou que o governador “não saía de lá (da Pampulha) até se sentir seguro de que a situação estivesse contornada”.

Caçula de uma família de 10 irmãos, com o pai viúvo, Calu diz que as autoridades, alguns dias antes, começaram a pedir para as pessoas deixarem as moradias. “Saímos de casa só com a roupa do corpo. Um homem, num jipe, avisava para as pessoas irem embora logo e procurarem um local seguro. Foi um período muito difícil na nossa vida e na cidade.” O que mais impressiona o aposentado é que tais situações continuem ocorrendo em BH e outras cidades mineiras. “Esses locais devem sempre fiscalizados, as pessoas correm riscos”, afirma ele, nesse momento, de pé à beira do Córrego do Onça, nas proximidades do vizinho Bairro Dona Clara, onde a prefeitura faz obras. “A água desceu tomando conta de tudo. Não havia ainda a Avenida Cristiano Machado, esses bairros. São momentos difíceis de a gente esquecer.”

Explicações

Por que ocorreu o rompimento, em 20 de abril de 1954, na Pampulha? Quem responde é o diretor do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH)/Fundação Municipal de Cultura, historiador Yuri Mello Mesquita, estudioso do tema. “O vazamento na represa, resultado de uma fissura, foi detectado em 16 de abril daquele ano. Na época, a cidade, com cerca de 500 mil habitantes, registrava uma série de problemas estruturais, entre eles ruas com muitos buracos, lixo sem recolher, enchentes e falta de água e de escolas.”

Nesse cenário, em que ainda não havia a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a prefeitura era a responsável pelo fornecimento de água e tratamento do esgoto urbano. Então, o prefeito (de 1951 a 1954) Américo Renné Giannetti (1896-1954) e o governador Juscelino Kubitschek se uniram para encontrar uma solução: a primeira foi abrir duas comportas do reservatório, a fim de esvaziá-lo, e tentar soldar a fissura. “O fato criou uma comoção na cidade, e, desde o dia 16, as autoridades foram a público passar uma mensagem de tranquilidade, dizendo à população que a barragem não se romperia”, afirma Yuri, autor da dissertação de mestrado Jardim de asfalto — Água, meio ambiente e canalização e as políticas públicas de saneamento básico em Belo Horizonte (1948-1973).

Ao mesmo tempo, ressalta Yuri, começaram as campanhas de vacinação dos moradores das áreas atingidas pela água da Pampulha, que afetou a região do Vale do Ribeirão do Onça, chegou ao Rio das Velhas, passou por Santa Luzia, na região metropolitana, e seguiu em direção ao Rio São Francisco. “Havia o temor de epidemia de doenças de veiculação hídrica. BH tinha muitas epidemias de esquistossomose e gastroenterite.” O Estado de Minas documentou todas as etapas e estampou a manchete: “Fendeu-se a represa da Pampulha na manhã de sexta-feira.” O texto dizia: “A torrente violenta causou estragos de monta, destruiu obras, arrasou casas e colocou muitas famílias ao desabrigo.”

“Imenso lodaçal”

As áreas atingidas haviam se transformado num “imenso lodaçal de onde emanam fétidos odores”, segundo a edição do “Diário da Tarde”, de 22 de abril de 1954. Antes de seguir para a solenidade do Dia de Tiradentes (21 de abril), em Ouro Preto, o presidente Getúlio Vargas (1882-1954) visitou a capital mineira e ofereceu recursos: “Belo Horizonte precisa e merece o apoio do governo da União”, afirmou ao lado de JK e do prefeito.

E o que disse o engenheiro construtor Ajax Rabelo? As explicações dele foram as seguintes: “O acidente é quase comum em barragens de terra, como no caso da Pampulha. A barragem da Lagoa da Pampulha é muito grande, feita sobre aterro e a pressão da água, enorme, pois na Lagoa da Pampulha estão 18 milhões de metros cúbicos de água. Daí, pode-se imaginar a pressão (…). Houve um movimento maciço da barragem que trincou o concreto, fato comum em barragens de terra”.

Passado o “sufoco”, foi convocado para a empreitada de reconstrução o engenheiro Luiz Vieira, vindo do Rio de Janeiro (RJ) e colaborador da obra em 1937. Segundo Yuri Mello Mesquita, não se chegou a um consenso sobre causas e responsabilidades do rompimento. Ocorreu, na sequência, um jogo de empurra, com acusações mútuas das autoridades municipais e estaduais, além de culpa ao prefeito anterior, responsável por erguer a barragem.

Conforme os jornais da época, não houve registro de danos ao patrimônio arquitetônico moderno projetado, na década anterior, por Oscar Niemeyer (1907-2012) — Igreja de São Francisco, Casa do Baile, Cassino, atual Museu de Arte da Pampulha, e outros monumentos que maravilham os olhos do mundo.

Um novo bairro

A construção da barragem da Pampulha se deu bem antes da implantação do conjunto arquitetônico moderno projetado por Niemeyer. Ao erguer a estrutura para captação de água, inaugurada em 1938, o então prefeito Otacílio Negrão de Lima já vislumbrava a possibilidade de a região se tornar “um novo e pitoresco bairro”, conforme os relatórios da sua administração.

Neste século 21, o episódio do rompimento da barragem, em 1954, é uma página virada na história da Pampulha, que atrai os olhos do mundo para a importância arquitetônica e se tornou Patrimônio Mundial, título concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 16 de julho de 2016. No entanto, não muito longe dali, a ruptura na Lagoa do Nado, guardadas as devidas proporções de volume, tempo e espaço, volta a assombrar os moradores de BH que, com população quase quatro vezes maior da de 1954, convivem com enchentes monumentais, falta de infraestrutura para conter tanta água e, principalmente, trânsito caótico a cada temporada chuvosa.

CRONOLOGIA ROMPIMENTO DA BARRAGEM DA LAGOA DA PAMPULHA

  • 1938 – Inauguração da barragem da Pampulha. O objetivo inicial é fornecimento de água à população;
  • Década de 1940 – Implantação do conjunto arquitetônico moderno projetado por Oscar Niemeyer;
  • 1954 – Em 16 de abril, fenda na estrutura leva autoridades a emitir alerta para população abandonar casas;
  • 1954 – Em 20 de abril, barragem arrebenta, inunda o aeroporto e atinge toda a região do vale do Ribeirão do Onça.

Via: https://www.em.com.br/gerais/2024/11/6990118-o-dia-em-que-a-barragem-da-pampulha-estourou.html